Aniversário do Golpe Militar de 1964

Por: em 31 de março de 2010
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No dia 31 de março de 1964, teve início um dos momentos mais polêmicos da história brasileira. Alguns chamam de era das trevas; outros, acham que foi a era de ouro do país. E embora muitos documentos já tenham sido abertos, ainda há muita coisa escondida. Estamos falando do Golpe Militar de 1964, erroneamente chamado de Revolução de 1964.

Foi um momento muito importante na história do Brasil, mas você deve estar se perguntando: o que esse tema está fazendo em um blog de séries? Pois bem, meu caro leitor, em 1992, a Rede Globo exibiu uma minissérie sobre o tema. Anos Rebeldes foi escrita por Gilberto Braga e Sérgio Marques e tinha como inspiração os livros 1968 – O Ano que Não Terminou, de Zuenir Ventura, e Os Carbonários, de Alfredo Sirkis.

A história se passa no Rio de Janeiro e acompanha a vida (e o romance) entre Maria Lúcia (Malu Mader) e João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), de 1964 a 1979. O momento político é cenário e personagem de um triângulo amoroso. Maria Lúcia sempre foi cercada por política, por ser filha de um jornalista do Partido Comunista e tenta fugir desse mundinho. Não por ser alienada, mas por estar cansada de ver o pai colocando os ideais acima da família. João Alfredo, no entanto, é politizado e, apesar de amar a namorada, vive dando mancada por querer participar dos atos políticos contra os militares.

Temos ainda Edgar (Marcelo Serrado), amigo de João Alfredo, apaixonado por Maria Lúcia e faz o tipo “boy next door”, bonzinho e que não pensa em política. E Heloísa (Cláudia Abreu), a mimada filha de um banqueiro que financiou o golpe militar. Além de contar com vários atores que foram atuantes na época retratada, como Bete Mendes, Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri. Além disso, é possível fazer paralelos com a época política em que o Brasil estava, com o impeachment de Fernando Collor.

A série marcou também por mostrar toda a polêmica do golpe, com cenas marcantes de atos que ninguém deveria se orgulhar. Gilberto Braga fez um bom trabalho mostrando para, principalmente para as gerações mais novas, como a ditadura influenciou a vida da população. Personagens chaves foram perseguidos, exilados, alguns se envolveram mais ou menos com política e tudo tem um final inesperado, de uma minisérie global.

A minissérie tem outro ponto que chama atenção: a trilha sonora. Temos desde “I can’t get no satisfaction”, dos Rolling Stones, a Roberto Carlos, passando por Beatles e clássicos da MPB. A abertura da série fica por conta de Caetano Veloso e Alegria Alegria, música que embalou o movimento. (Como eu ainda estou na metade da série, peguei algumas informações – erradas, diga-se de passagem – no verbete sobre a série na Wikipedia BR, mas já corrigi. A trilha sonora, mesmo sem alguns dos artistas geniais que eu tinha colocado, ainda é ótima, com uma pegada mais popular. Obrigada pelo toque, Cleide)

Anos Rebeldes conta com um elenco bem conhecido da telinha brasileira. E, como não poderia ser diferente nas minisséries da Globo, com ótimas interpretações, um bom roteiro e em apenas 20 episódios. Uma ótima pedida para a midseason, quando a maioria das nossas séries favoritas estão em férias.

Ficou com vontade de assistir? Você encontra a série com facilidade nas comunidades dedicadas a ela, ou pode comprar os DVDs aqui.

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6 comentários, seja o próximo.

  1. Cleide disse:

    a trilha sonora. Temos desde “When I Fall in Love” (Nat King Cole) a Roberto Carlos, passando por Rolling Stones, Ella Fitzgerald e Edith Piaf.
    /\ descupas mas essa trilha é de Anos Dourados

    e vale mencionar que Anos Rebeldes além de ser uma ótima minissérie, ela deve também ao sucesso do sua antecedora a Anos Dourados

    valeu por lembrar das poucas coisas incrivelmente boas da Globo, as novas gerações não irão se arrepender de assistir, pois as duas são maravilhosas
    abraços

    31 de março de 2010 às 17:37
    • Bianca disse:

      Obrigada pela puxada de orelha, Cleide! Coloquei as explicações no texto mesmo =)

      Eu estou gostando muito da série, acho quase surreal que um dia a Globo fez algo tão politizado e, hoje em dia, foge disso. Uma pena!

      31 de março de 2010 às 21:20
  2. Eu assisti à primeira parte baixada daquela comunidade com a série completa e achei beeem bom. O jeitão revolucionário do personagem do Cássio Gabus Mendes é a típica coisa que me irrita demais, só que o resto do elenco completamenta muito bem a série pra não deixar que a chatice do cara contamine com tudo.

    Ainda não assisti ao resto nem tanto por falta de tempo, mas por preguiça de baixar mesmo ahahha Sem contar que, depois de eu ter aprovado o primeiro episódio, já posso comprar sem medo o box. Quando eu passei na Saraiva, era um dos únicos da Globo em falta, só que em vez de eu esperar o negócio chegar (ou comprar pelo site), acabei pegando o ‘As noivas de Copacabana’, que também tem um começo que me agradou bastante.

    Enfim, me amarro em posts que não falam das milhões de séries que a gente já tá cansado de ouvir. Muito bom, Bianca! =)))

    31 de março de 2010 às 20:44
    • Bianca disse:

      Esse tipo idealista demais também me dá nos nervos, Guilherme! E como ele se recusa a entender o lado da Maria Lúcia, mas espera que ela o compreenda sempre.

      Eu nunca vi a série nas lojas físicas, só nas virtuais mesmo. E por um preço muito bom. =)

      31 de março de 2010 às 21:23
  3. Mari Rocha disse:

    Essa minissérie foi ótima mesmo. Até hoje não me conformo com a morte da Heloísa (Cláudia Abreu), a melhor personagem da história.

    3 de abril de 2010 às 15:30
  4. Clara disse:

    A trilha sonora é incrível, de todas as músicas a que mais me encantou foi Call Me. A cena da Heloísa sendo alvejada de balas com essa música ao fundo foi realmente marcante… (apesar de ter um errinho de continuidade, mas ainda assim irrelevante devido a intensidade da cena) =~~~~

    16 de junho de 2010 às 22:23