Harry’s Law

Por: em 23 de janeiro de 2011

Harry's Law Kathy Bates

Se eu visse Harry’s Law passando na TV uma hora qualquer, eu pararia pra assistir numa boa.

E isso até que é um elogio. Nem todas as séries precisam de todo o investimento que a gente tem com tantas outras. Por mais que a maioria de nós esteja acostumado a um método… alternativo pra assistir a cada episódio, o principal meio de exibição lá nos EUA é o tradicional: sentar no sofá, ligar a TV e zapear pelos canais. Eu não sei até que ponto Harry’s Law pretender ser casual como o piloto sugeriu, mas são com os procedurais que David E. Kelley construiu sua carreira, e mesmo com uns detalhes meio bizarros nesse primeiro episódio, os 40 e poucos minutos foram agradáveis de se assistir. A força que o nome de Kathy Bates carrega não vai ser o suficiente pra eu acompanhar a série fielmente toda semana, mas se um dia ela chegar ao Brasil? Bem provável que eu fique satisfeito ao ligar a TV e ver um episódio passando. Harry’s Law é esse tipo de série.

O problema no piloto é que as tramas soaram inconsistentes demais pra seguirem um arco forte serializado, e ao mesmo tempo também foram um pouco genéricas demais pra que o episódio de amanhã (24) entre na minha fila de trocentas séries a serem assistidas. É complicado botar fé numa história que se desenrola a partir de coincidências. Depois de ser demitida da firma onde trabalhava — por estar completamente desempolgada com o emprego —, Harriet sofre dois acidentes absurdamente aleatórios: um cara tenta se suicidar ao pular de um prédio e cai em cima dela; e um advogado novato, fã de Harriet, acaba a atropelando. Tanto um quanto o outro servem só pra incluir personagens na trama, e mesmo que os acidentes em si funcionem se não forem levados muito a sério, a série acaba escolhendo um lado melodramático sobre destino e blá blá blá que comigo não desceu muito bem.

E por cima disso, pra coroar as inconsistências da premissa da série, surge ainda a ideia de Harriet de criar uma nova firma a partir de uma antiga loja de sapatos abandonada. Mas primeiro: se Harriet era uma das melhores advogadas do país igual o começo do episódio sugere, sério mesmo que o único lugar que ela podia arrumar era na vizinhança pobre da qual ela reclama? E segundo: se todos aqueles sapatos deixados no imóvel eram valiosos como a assistente de Harriet mostrou, POR QUE eles ficaram lá dando sopa esperando alguém criar um negócio num piscar de olhos? É meio cínico (e chato) ficar apontando esses detalhes, afinal uma série baseada em um escritório de advocacia JUNTO com uma loja de sapatos é bizarra por natureza. Só que a partir do momento em que o piloto de Harry’s Law abraça essa bizarrice sem reconhecê-la como tal, a chatice se faz mais necessária, porque é ela que vai provar se vale a pena ou não investir na série.

Mas se não vale a pena o investimento, de onde saíram os elogios lá do começo do texto?

Harry's Law Nathan Corddry

Dos personagens. Ou talvez nem dos personagens em si, mas dos atores. Kathy Bates é sempre Kathy Bates (meu filme de suspense favorito sempre vai ser Louca Obsessão (Misery) basicamente por causa dela), e mesmo que seu personagem não tenha mostrado (nem teve tempo de mostrar) tanta coisa em um episódio só, Kathy tem bagagem o suficiente pra transformar qualquer palavra que o roteiro escreva pra Harriet em algo legal de ser assistido. Mas acima de tudo, o destaque MESMO foi Nathan Corddry (De ‘Studio 60‘ e recentemente em ‘United States of Tara‘ e ‘The Pacific‘.). O seu personagem é o que eu queria que a série fosse 100% do tempo: exagerado e meio maluco, mas carismático pra caramba. Adam foi a melhor parte do piloto, porque ele soube se encaixar nas bizarrices de Harry’s Law, mas também cedendo espaço ao lado mais emocional da história. A cena no tribunal foi perfeita, com ele interrompendo a Juíza o tempo inteiro, mas a cena seguinte foi tão importante quanto, porque mostra que o personagem não é só um advogado todo bobão. Quando seu cliente o agradece pela força com que Adam o defendeu, aí sim Harry’s Law monta um momento melodramático eficiente — porque ele surgiu das doideras inerentes a premissa da série.

Harry’s Law, no fim das contas, te deixa em cima do muro. Por enquanto eu deixo ela de lado, esperando pra assistir aleatoriamente em algum canal da TV a cabo por aqui. Mas toda série pode acabar melhorando imensamente com o decorrer de uma temporada, e se os comentários da galera que continuar assistindo permanecerem positivos, tô disposto a tentar o investimento.

Carisma a série tem, falta só um tanto de recheio.

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P.S.: Confissão: achei engraçado o cara que repetia a mesma frase toda hora.

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7 comentários, seja o próximo.

  1. Camila disse:

    Confesso que gostei bastante do piloto. Mas por dois motivos: Kathy Bathes e Nathan Corddry.

    A série pode até ter coisas bizarras, mas nem por isso perde seu encanto, e isso se deve em boa parte pelos personagens e atores.

    Também achei estranho o fato da Harry ter ido parar naquela vizinhança, mas se justifica pelo desejo de abandonar a vida que ela levava.

    Ademais, também achei o cúmulo ter todos aqueles sapatos maravilhosos, Prada e Jimmy Choo custam os dois olhos da cara, se eu morasse por lá já teria passado a mão há muito tempo! =)

    Mas, enfim, o piloto até me surpreendeu por mostrar que a série é acompanhável e capaz de entreter, coisa que estreias super divulgadas não são nem capazes de fazer, tome como exemplo Off the Map.

    24 de janeiro de 2011 às 13:24
    • É mais ou menos por aí mesmo, a série é bem mais simpática do que várias outras estreias desses últimos meses.

      Quanto ao lance da vizinhança, dá pra engolir melhor com essa da Harriet querer abandonar a vida que ela levava e tal. Até porque, que nem tu escreveu no teu blog, o choque de cultura deve trazer uns momentos legais pros próximos episódios, então dá pra deixar passar.

      Enfim, nossa opinião até que é parecida, só muda um pouco a intensidade.

      24 de janeiro de 2011 às 22:00
  2. Nicole Chaves disse:

    Gostei bastante do episódio piloto, pois finalmente ri boa parte dele se tratando de uma série jurídica… Sou fã de The Good Wife, mas é legal ver outra série do mesmo gênero completamente diferente.

    Continuarei acompanhando a dramédia e esperando que os próximos epis continuem misturando esse tom de comédia do piloto ;D

    25 de janeiro de 2011 às 10:14
  3. Juliana disse:

    Oi Guilherme
    David E. Kelley pra mim é um genio.O cara fez Ally Mcbell a série mais criativa e divertida de todos os tempos com ingredientes tão inacreditáveis que só uma mente brilhante e sem censura ou medo do ridículo pode fazer.(embora concorde que a série seja extremamente feminina) Depois veio Boston Legal outra vez fantástica o que é Danny Crane senão sensacional.
    Quando vi Kathy Bates(meu filme de
    suspense favorito tambem é Misery)numa série de David E. Kelley ,imagina minha empolgação..,mas, infelizmente virou decepção nem parece que é o mesmo cara que criou personagens tão inesquecíveis.

    17 de fevereiro de 2011 às 22:05
    • Eu não conheço tanto o David E. Kelley, só vi alguns episódios soltos de Ally McBeal (que gostei) e nunca vi nada de Boston Legal ou das outras séries dele. Mas mesmo sem conhecer, dá pra ver que Harry’s Law não foi a melhor jogada dele. Nem cheguei a ver os próximos episódios depois do piloto :(

      E me amarrei em ver que não tô sozinho quanto a Misery ahahha Raro eu ver alguém falando sobre o filme.

      18 de fevereiro de 2011 às 02:23
      • Juliana disse:

        Guilherme
        Acompanhei suas críticas sobre Mad Men vc mandou muito bem,sensibilidade incrível.
        Mad Men está na minha lista das TOP 10 assim como Boston Legal, claro que cada uma com sua proposta,mas,ambas geniais.
        Então vale a pena vc assistir BL ,pois,certamente irá se deliciar com Danny Crane.

        18 de fevereiro de 2011 às 21:32
  4. Rafael chicola disse:

    Vai passar agora em 2011 na warner channel brasil.acho q em agosto.

    23 de junho de 2011 às 10:12