[Primeiras Impressões] Rubicon | Apaixonados por Séries

[Primeiras Impressões] Rubicon

Rubicon

AMC é um canal esperto. Domingo passado, a programação oficial do canal pago americano marcava uma exibição de 100 minutos de Breaking Bad, enquanto apenas metade era, de fato, a season finale da série — os outros 50 eram, na verdade, o episodio de estreia de sua mais recente aposta, Rubicon. Ou seja, muita gente que programou a gravação dessa exibição em seus DVRs só queria ver o possível final estendido de BB. Ao invés disso, levaram de sobra o piloto da série nova pra casa. Sacanagem da AMC? Que nada. O bom da história é que a surpresa foi excelente, e Rubicon tem um piloto que, apesar de ser meio paradão, cria uma trama instigante que já me deixa cheio de vontade de assistir mais.

Pra quem ainda não viu e não faz ideia do que a série se trata, Rubicon é um thriller conspiratório que segue a história de Will Travers, analista de um instituto de inteligência americano que faz pesquisas e desvenda padrõezzZZzz… Descrever desse jeito não adianta, a história parece entediante demais. E dependendo do estilo de série que você procura, ela realmente é. O melhor de Rubicon tá na ambientação, no clima de mistério que a Nova York da série transmite, e isso vai exigindo um desenvolvimento mais devagar de sua trama. Esse provavelmente vai ser um dos pontos principais no decorrer da produção, então é preciso estar disposto a encarar uma marcha um pouco mais lenta do que o normal.

Quem resolver encarar, porém, ganha uma história de pista e recompensa beeem interessante de se acompanhar. Todo mundo na série sabe mais que o protagonista, o que coloca o personagem numa posição de vulnerabilidade que faz com que a gente se identifique com ele. Cada descoberta de Will é uma descoberta nossa. O cara é uma representação do próprio público de televisão em geral. A gente investe nas séries, corre atrás de detalhes, comenta, discute, teoriza, tropeça no meio do caminho, se frustra, e, eventualmente, encontramos soluções. Will provavelmente ainda tá longe de chegar nessa última parte, mas todo o resto já começou a ser montado nesse piloto.

Só que além disso, claro, Will tem sua personalidade própria — representada por James Badge Dale, que marcou presença recentemente na minissérie de guerra da HBO, The Pacific. Will é um cara inteligente pra caramba, mas introspectivo, com um ar de tristeza — pior, de indiferença — que reflete bem todo o visual frio da série. Não só pela morte de sua esposa e de sua filha no atentado de 11 de setembro (que me pareceu uma tentativa um pouco exagerada demais pra gente se envolver com a história do personagem), mas também pela morte de seu sogro no acidente de trem lá pela metade do episódio (que me fez dar um pulo da cadeira de tão súbito).

Rubicon Will Traver James Badge Dale

Sobre os mistérios em si ainda há pouco pra se especular. É claro que a morte de David não foi acidental — ou talvez ele nem tenha morrido, é uma reviravolta comum nesse tipo de história — assim como, com certeza, existe uma ligação forte entre o ocorrido e o mistério do trevo de quatro folhas. Executivo, Legislativo, Judiciário… e mais o que? O suícido ainda obscuro do começo do episódio se liga ao final, quando é mostrado um grupo de quatro (!) novos personagens comentando sobre o fato. Quem são esses caras? Por onde a gente deve começar a pensar? Sei lá. É um pouco frustrante ter que esperar a estreia efetiva da série só em 1º de agosto pra dar sequência à história, mas é uma frustração compreensível. Faz parte do mundo da TV.

Conversando sobre a série com o Caio, ele comentou que esperava a qualquer momento o Robert Langdon dando um pulo em Nova York, tamanha a sensação de mistério que Rubicon constrói de maneira semelhante a de Dan Brown em seus livros. E apesar de eu não ter lido nenhum deles (pois é, nem O Código Da Vinci), é exatamente esse ar conspiratório de que há uma conexão entre cada detalhe, de que existe um padrão onde é menos esperado que mais me atraiu nesses primeiros momentos da série. Ready or not, here I come. Essa é a primeira frase que a gente ouve no episódio, e ela representa perfeitamente a minha reação com Rubicon. Eu não tava tão disposto a começar uma nova série em meio às milhões de outras produções que a gente tem por aí, mas já que ela veio atrás de mim, por que não?

Excelente começo. Ao que tudo parece, AMC acertou de novo.


11 Comentários

  • Uma das coisas que me atraiu em Rubicon foi justamente a semelhança com os livros do Dan Brown. Agora, sobre o fato da mulher e da filha do Will terem morrido no atentado de 11 de setembro ter sido exagerado, eu até que achei uma idéia interessante, pois foi algo de grande impacto, principalmente nos EUA. Outra coisa que eu também achei bem legal foi a abertura. É quase uma regra comigo; gostei da abertura, gostei da série. O que pode atrapalhar, porém, foi o promo, que não faz jus ao piloto. A parte do xadrez, por exemplo, não é metáfora pra nada, mas quem assistiu o promo primeiro acha que seguem por essa linha, o que é um baita clichê. E o modo que fugiram disso foi bom. O jogo de xadrez era apenas um jogo de xadrez. (até agora)
    Se conseguirem fugir dos clichês que histórias desse gênero normalmente carregam junto, a série tem tudo pra se dar bem. E pelo que ouço de Breaking Bad, não vai ser difícil.


    • Talvez eu gostasse mais da ideia do 11 de setembro se a gente descubrisse isso um pouco mais adiante na série. Essa história surgindo já no piloto me deixou com mó impressão de que foi só pra surpreender e pra gente ficar com pena do cara. Mas nada que eu não engula também.

      E abertura é bem legal mesmo. Me amarro quando fazem uma mais comprida, em vez daquelas de 2 segundos só com o nome da série.


  • Eu confio na AMC. É simples assim. Um canal que exibe Mad Men e Breaking Bad, dois dos dramas mais elogiados e criticados e ah, premiados do mundo das séries deve ter algo bom a mostrar. Só por isso precisamos dar sinal verde para Rubicon e assistir.

    Apesar de paradão (normal das séries da AMC) eu amei esse piloto e Rubicon é tudo que eu gosto. O clima de mistério, coisas velhas, frieza, conspiração…isso me encantou de cara.

    Quer saber? Aposto em Rubicon e quero mais..muito mais.


    • O lance do clima velho da série eu nem cheguei a comentar no texto, mas também me agrada demais. A série toda tem uma ambientação que a gente não vê em nenhuma outra hoje em dia, o que me deixa ainda mais disposto a mergulhar em Rubicon quando ela começar de vez.


  • Eu tava achando legal o enredo, até você falar que parece os livros do Dan Brown, Guilherme, hahahaha.
    Eu li só o Código Da Vinci e, talvez por ter visto o filme antes, achei bem fraquinho!

    Mas vou dar uma conferida em Rubicon do mesmo jeito =)


    • ahuaha Que nem eu disse, eu não li nada do cara, então não sei exatamente até que ponto chega essa semelhança. Mas pelo que eu vi do filme (O Código Da Vinci), a comparação não é nem pelo enredo, mas pelo climão de mistério, de vários detalhes conectados e tal. A forma como os dois trabalham com isso, pelo menos na tela, é bem diferente. O Código Da Vinci parece bem mais corrido do que Rubicon.


  • Gostei muito do plot da história achei bastante inteligente, mais um sucesso da AMC assim como o Breaking Bad e Mad Man, queria aproveitar para deixar o meu protesto pela falta atenção que os blogs brasileiros dão a essas duas séries.


  • Será que eu finalmente encontrei uma série da AMC pra chamar de minha? :D

    Gostei da premissa, adoro o clima dos livros de Langdon (mas os filmes, bléh) e vou conferir Rubicon.

    Agora, que escrotidão isso da AMC viu? Eu, só de revolta, não teria assistido!


  • Assistirei e volto para dizer o que achei!


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