episódio simpelesmente perfeito
ESTA TEMPORADA TA PERFEITA AWESONE

Se eu tivesse um martelo, acertaria a cabeça do primeiro que falasse mal desse episódio de Dexter. Foi espetacular. E teve espaço pro desenvolvimento de todas as tramas: avanço no caso do Trinity Killer, encerramento de vez do caso do assassino das férias, as complicações do romance entre Batista e LaGuerta, Deb se recuperando da fossa pela morte do Lundy, dentre várias outras coisas que passaram longe de decepcionar, mas que com certeza perdem um pouco do brilho quando comparadas com o desenvolvimento de um Dexter mais aberto, aprendiz do modus operandi de Arthur Mitchell. O novo Morgan, pai de família, marido, bom vizinho, é um homem exposto demais pra tentar esconder seu Dark Passenger tão às escuras. Como o Trinity Killer, o melhor esconderijo pra Dexter é à frente de todos, escancarado. Mas claro que tudo sempre protegido a sete chaves, afinal de contas, há crianças por perto :- )
Arthur, porém, não parece proteger suas sete chaves tão bem assim. Me surpreendi pela facilidade com que Dexter descobriu o porquê do Trinity repetir sempre o mesmo ritual da mulher na banheira, da outra jogada de um prédio e, finalmente, do homem espancado à morte. Mas apesar de isso ter sido o único detalhe que eu não gostei no episódio, fico satisfeito de essa resposta já ter sido dada logo na metade da temporada. É melhor do que ficar guardando e fazendo suspense pra revelar só lá nos últimos episódios algo que pode nem ser tão interessante assim. O que não foi o caso aqui, porque o fato de Trinity matar sempre as 3 pessoas como uma maneira de reviver a morte de sua irmã e de seus pais é forte, doentio e bastante eficaz na hora de justificar o comportamento mórbido do serial killer.

Mas se Dexter e Trinity são o que há de mais empolgante na temporada por enquanto, Deb não anda ficando muito atrás, não. Nesse 4×06, ainda tentando arrumar uma maneira de se livrar da dor pela morte de Lundy, Deb quis fazer com que a namorada do assassino das férias – até então suspeita pelos disparos – assumisse o crime, mesmo que no fundo Morgan soubesse que isso não era verdade. E se em “Dirty Harry“ o ponto alto foi a cena do estacionamento, no dessa semana, foi a cena da prisão que me deixou com vontade de levantar da cadeira e aplaudi-la de tão boa que foi. E não só por causa da Jennifer Carpenter. A outra atriz (que nem o IMDB me ajudou a encontrar) mandou benzaço também. No final das contas, o que fez Deb se livrar do luto foi o seu próprio jeito Lundyano de ser, percebendo que faltavam coisas no apartamento do cara e ligando os fatos quase que perfeitamente. Ela só errou em quem roubou o material de Lundy, mas a ordem dos fatores não importa, o resultado que a Deb alcançou é o mesmo que o do irmão: ir atrás do Trinity Killer.
Quanto ao resto – que não é resto no sentido pejorativo da coisa, é só pra não esticar muito a review mesmo -, tô gostando do relacionamento da LaGuerta com o Batista. Acho muito legal o roteiro não colocar os dois brigando igual gato e rato na questão da burocracia da polícia e, ao invés disso, apoiarem um ao outro nas decisões. Duvido que eles resistam à tentação e acabem se separando de verdade, como ficou definido no final do episódio. Até o final da temporada, acho que algum deles ainda vai se dar mal por causa disso, e eu jogo as minhas fichas na Maria. Gosto dela, mas seria interessante ver a personagem sofrendo um pouco mais. Ainda mais depois de escapar praticamente ilesa na segunda temporada do jeito que conseguiu recuperar o cargo de tenente do departamento, lembram?

E foi isso. Combinando tudo isso aí em cima com o pouco espaço pra história da repórter (que apesar da personagem fraca, sempre me deixa feliz quando aparece em tela), a ausência completa de Harry (que eu gosto, mas andava aparecendo demais, precisava dar um tempo mesmo), e uma série de outras pequenas cenas que engrandeceram ainda mais o episódio, fica impossível colocar “If I Had A Hammer” numa categoria abaixo de excepcional. E repito: se eu tivesse um martelo, acertaria no primeiro que pensasse o contrário.
Mas pera aí.
Eu tenho um.
Cuidado nos comentários e até semana que vem.
P.S.: Repararam como na semana passada o Dexter tava todo cheio de sentimentos por causa do tiro na irmã e dessa vez ele pareceu bem mais frio? Fico com a impressão de que ele só sente alguma coisa de verdade mesmo com a Deb. Apesar do esforço, a família com a Rita ainda soa um pouco como disfarce. Igualzinho o Trinity faz. Ambos até gostam da família que têm, mas na verdade, as duas são só um escape pra manter os assassinatos em série por trás.
P.S. 2: Ri muito na cena do Dexter trazendo os presentes pra família. Primeiro porque um DS me deixa tão feliz quanto o Cody. E eu tenho, sei lá, mais do que o dobro da idade do moleque. Segundo porque a Rita foi genialmente engraçada na hora que reclamou da fazedora (que palavra horrível) de pães: “Vai trazer uma vaca também pra gente não precisar comprar mais leite?”. Tive que pausar pra rir.
P.S. 3: Acho que eu não deixei muito claro no texto, mas eu me arrepiei em toda a vez que Dexter e Trinity apareciam juntos em cena. Ou seja, no episódio inteiro. Aquela parte do Dexter segurando as cinzas da irmã do Arthur foi incrível, INCRÍVEL.
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