Acho que com muito medo os fãs de Torchwood foram assistir a esse episódio, com medo das mudanças que a série poderia ter ao se “mudar” para os Estados Unidos. Faço parte desse grupo, e não conseguiria imaginar como a série iria trazer o Capitão Jack Harckness de volta do seu passeio pelo universo, e como iriam se reerguer depois de terem sido caçados pelo governo britânico na última temporada, Children of Earth.
Claro que algum tempo iria se passar para o começo dessa temporada, já que a protagonista estava grávida, e trabalhar em algo como Torchwood grávida não é seguro. Mas eu não imaginava que Gwen Cooper estaria se escondendo do mundo, numa encosta deserta, para criar sua filha de nome estranho (Anwen). O bom é que não foi tanto tempo assim, e Jack e Gwen parece não terem se visto nesse período de isolamento. Foi realmente só o tempo da pequena Anwen nascer e crescer um pouco.
A apresentação do grande “problema mundial” foi muito bem feita, gastaram o tempo merecido para nos mostrar o quanto isso pode ser ruim para o mundo e o quanto as pessoas ficarão em dúvidas se deviam tentar consertar o fato ou não. Ver sua filha nunca morrer é o sonho de todo pai. Mas ver um cara explodido, decapitado, raspado do chão e das paredes em cima de uma mesa e ainda respirando, não é uma coisa bonita de se ver, nem em ficção. E fiquei curiosa para saber se Jack realmente tem uma credencial do FBI, ou se usou o seu velho papel psíquico.
Gosto de como eles estão pegando as referências das outras temporadas. Na terceira não tivemos a oportunidade de ver Retcon em ação, e agora o 456 aparece em cada meia dúzia de informações que são passadas. Seria muito sem imaginação trazer os mesmos inimigos anteriores, aqueles do canal 456, como os antagonistas dessa temporada. Acho que eles poderiam conseguir fazer isso se quisessem, mas seria óbvio demais. Estamos mais acostumados em nunca obtermos uma resposta em Torchwood do que a tê-las assim.
Fico imaginando como será que Jack e Gwen irão trabalhar nos EUA, ajudando um organismo governamental, CIA, já que estão acostumados a ficarem acima disso. Esther é bem curiosa, a atriz desempenhou bem o seu papel, mas o que gostei mesmo foi do seu chefe, Rex Matheson, um morto vivo tentando entender o que está acontecendo com o mundo. Dado o histórico da série não é tão estranho, Owen trabalhou um bom tempo na segunda temporada completamente morto, sem sinais vitais e tudo, mas andando por aí e o principal, trabalhando.
A primeira aparição do Capitão Jack foi muito para dizer “se segura, teremos muita ação esta temporada”! Claro que ele iria se encontrar com a mulher que estava tentando descobrir o que era o Torchwood, eles sempre fazem isso, mas não precisavam pular de uma janela fugindo de uma explosão. Seria muito mais interessante ele galantear a moça, como era mais divertido em Doctor Who. É muito protetor também ao tentar preservar a Gwen de tudo o que pode acontecer, apesar de bancar o durão, Jack é um cara muito amável.
E por falar em carão durão, as mudanças estranhas de Torchwood começaram por aqui, com Jack, depois de salvar e dar um Retcon para a agente da CIA Esther Drummond, indo para sua “base” ao som de uma musica de faroeste… Sério? Faroeste? Será que precisa disso para os americanos gostarem da série? Acho que forçaram muito aqui. Mais ação, usarem armas estranhas que o Instituto Torchwood possui é tolerável, mas faroeste é demais para uma série de base inglesa. Tomara que isso seja só no primeiro episódio, e depois voltem ao padrão, não destruam o belo sotaque inglês.
E o modo como o reencontro de Torchwood acontece ficou muito tosco. Não é o nível de tosqueira que os fãs amam lá das outras temporadas, mas tosco de super produzido e muito americanizado. Quem eles são? 007? Rambo? Duro de Matar (este é até apropriado pelo nome…)? Perseguições, derrubar helicópteros… Que mãe corre em direção à algo que está tentando matá-la, com a filha no colo, e atirando? Qualquer ser em sã consciência e com o mínimo de instinto maternal teria colocado a criança no chão para protegê-la, não levá-la para linha de fogo.
Apesar de parecer que Gwen e Rhys estão fugindo da policia, algumas vezes, principalmente no hospital quando ela vai visitar seu pai, a conversa deles parece ser outra, que ela está fugindo para não voltar ao trabalho. Parece que já procuraram ela outras vezes nesse longo período até aqui. Tanto que Gwen tem um telefone que pertence ao programa de proteção a testemunhas do Reino Unido, como? Acho que querem mostrar que ela foge da polícia, como uma fora da lei, mas depois vão mostrar que não é bem a verdade.
Com o Jack aparentemente mortal novamente, será que teremos muitas referencias ao Doctor? Foi lá que tudo começou, não podem ignorar esse fato, e nem o fato que Jack Harckness sobrevive até o fim do universo em Doctor Who, não são personagens diferentes.
Se Torchwood continuar nessa linha e não aumentar o nível de exagero da americanização, a 4ª temporada tem tudo para ser a melhor até aqui, com mais recursos para efeitos visuais melhores aliados à uma história que está sendo contada de uma forma muito convincente, no tempo correto para nos deixar esperando pelo próximo episódio ansiosamente.
Acompanhem também a Websérie animada Torchwood, Web of Lies protagonizada por Eliza Dushku, John Barrowman e Eve Myles. Vale a pena assistir (sem legenda ainda) e ver alguns detalhes sobre o Miracle Day que não são ditos na série.
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PS.1: Qual a importância do assassino Oswald Danes na temporada? Só contextualização dos problemas?
PS.2: Pena que John Barrowman está ficando velho, ele não é imortal como seu personagem.
Essa discussão da série “mais americanizada” ainda vai render muito. Mas não me esqueço de que proposta original de RTD para Torchwood era justamente um spin-off de DW mais adulto e “americanizado”. Afinal, Cap. Jack é americano!
Gostei muito do episódio inicial. Confesso que tive muito medo de ver a série hollywoodiana demais (não “americanizada”, mas que perdesse o apelo meio tosquinho e que houvesse censura, digamos, moral).
Mas quando vi que (i) Oswald Danes, o pedófilo que justificou o estupro e o assassinato da garotinha de 12 anos com a frase “She shoulda run faster” e (ii) a Gwen atirando com a bebê no colo (politicamente incorretíssimo!), relaxei… (risos!)
Na verdade, o que mais me preocupou na series premiere foram os seguintes pontos:
(1) O protagonismo de Mekhi Phifer (Rex). Quero o Cap. Jack como protagonista! Será que vão dar mais importância ao elenco americano que aos remanescentes da boa e velha Torchwood? Espero que não…
(2) Jack ser relegado a um mero gay e não mais a um omnisexual. Vi em uma entrevista de John Barrowman que isso pode acontecer nessa temporada para o público ainda não familiarizado com TW.
Eu nunca concordei muito com esse capitão Jack é americano, porque não sei se lá no século 51 ainda tem essa mesma divisão, o que ele não tem é o sotaque inglês, aí começaram adivinhando que era americano e para não explicar mais, ele deixou por isso mesmo.
Dificilmente o plot americano vai ter mais participação que Jack e Gwen. Não dariam um tiro no pé. Estamos aqui para ver os dois. Assim espero.
Eu nunca tive medo da censura moral, Eles já tinham dito que não teria limites, que ela continuaria com um teor altamente sexual… Aí entra esse ponto que vc levantou, deles colocarem o Jack só como gay. Mesmo quando tava só na BBC tinham poucas referencias a ele ser omnisexual, era relegado a um Bisexual… só uma vez ele fez um comentário sobre ter “comido carne alienígena”… Tomara que explorem esse lado dele um pouco mais, o Jack é um personagem incrível!
Eu tbm fiquei com gostinho de quero mais! Ponto pro Russell T. Davies!
Camila,
Mais uma vez, parabéns pela review!
Essa discussão da série “mais americanizada” ainda vai render muito. Mas não me esqueço de que proposta original de RTD para Torchwood era justamente um spin-off de DW mais adulto e “americanizado”. Afinal, Cap. Jack é americano!
Gostei muito do episódio inicial. Confesso que tive muito medo de ver a série hollywoodiana demais (não “americanizada”, mas que perdesse o apelo meio tosquinho e que houvesse censura, digamos, moral).
Mas quando vi que (i) Oswald Danes, o pedófilo que justificou o estupro e o assassinato da garotinha de 12 anos com a frase “She shoulda run faster” e (ii) a Gwen atirando com a bebê no colo (politicamente incorretíssimo!), relaxei… (risos!)
Na verdade, o que mais me preocupou na series premiere foram os seguintes pontos:
(1) O protagonismo de Mekhi Phifer (Rex). Quero o Cap. Jack como protagonista! Será que vão dar mais importância ao elenco americano que aos remanescentes da boa e velha Torchwood? Espero que não…
(2) Jack ser relegado a um mero gay e não mais a um omnisexual. Vi em uma entrevista de John Barrowman que isso pode acontecer nessa temporada para o público ainda não familiarizado com TW.
Mas o episódio me fez querer mais!