[Primeiras Impressões] A Gifted Man | Apaixonados por Séries

[Primeiras Impressões] A Gifted Man

 

 

Pilotos enganam. Supostamente o objetivo de um episódio piloto é apresentar o que veremos na série. Porém, é claro que o primeiro capítulo de uma saga precisa ser forte para conquistar o público logo de cara. A Gifted Man faz isso muito bem, com um piloto emocionante e ágil, mas o futuro da série é o que mais preocupa.

Séries médicas, investigativas e jurídicas por vezes caem no básico sistema de apresentar um caso por semana, sem entrar de cabeça no desenvolvimento dos seus personagens. Esses casos tendem a ser mais interessantes do que quem os salva/soluciona/legaliza. Claro, existem exemplos que diferem dessa ideia fraca, mas são poucas as séries que conseguem se sustentar na competitiva TV aberta dos Estados Unidos sem fazer isso. É o que vejo para A Gifted Man. Assim como Hart of Dixie e Person of Interest, outros dois pilotos promissores dessa fall season, o novo drama médico/espiritual da CBS parece que vai seguir o caminho mais fácil. O problema é que esse piloto não valerá de nada se isso acontecer.

Em A Gifted Man somos apresentados ao Dr. Michael Holt, um dos melhores médicos de New York. Estrela solitária, Michael é arrogante, egoísta e nada solidário para quem não paga suas contas. Então ele encontra sua ex-esposa, 10 anos depois do divórcio e os dois se dão muito bem. Ao procurá-la no dia seguinte, Michael descobre que Anna morreu há duas semanas, e que havia passado a noite com seu espírito. Cético, Michael procura todo e qualquer indício da possiblidade de ver uma pessoa morta através da medicina: esquizofrenia, tumor cerebral, ou qualquer mal que possa ter causado a alucinação. O fato é que A Gifted Man trabalha mesmo com a espiritualidade: o espírito de Anna não está pronto para partir e precisa da ajuda do ex-marido para ajeitar as coisas em sua antiga clínica: um local sem recursos que exige amor, paciência e vontade dos médicos para salvarem pessoas.

Não preciso entrar na discussão de acreditar ou não. Verdade ou ficção, isso cabe a você, caro leitor. O fato é que a série trata bem do universo espiritual. A Gifted Man traz uma história nada original mas que foi bastante emocionante em seu piloto. Tudo graças a direção de Jonathan Demme, vencedor do Oscar de melhor diretor por O Silêncio dos Inocentes. Tudo, aliás, é um exagero. A atuação dos personagens ajudou e muito a transformar essa trama em algo crível e passível de emoção. Patrick Wilson esteve perfeito no papel do Dr. Michael, contrastando bem o lado cético do médico com a emoção de ver sua ex-esposa, agora morta, e decidir ajudá-la. Jennifer Ehle conseguiu se sair bem como Anna, principalmente nas cenas que esteve com Wilson, provando a química dos atores.

O elenco secundário não teve muita chance de mostrar a que veio. Na verdade, apenas Julie Benz apareceu mais, e foi simplesmente a parte mais chata do episódio. A irmã de Michael não teve graça e suas cenas pareceram forçadas. Porém, os outros se saíram muito bem no pouco tempo em cena. Até Liam Aiken como o adolescente Milo – que deverá ser aqueles casos chatos de aborrecência – foi melhor que a personagem de Benz. Pablo Schreiber esteve engraçado como o que eles chamaram de xamã. Apesar do ceticismo de Michael – e do meu próprio – o personagem Anton parece ter mesmo habilidade de se comunicar com os mortos, e deve ajudar Michael na comunicação com Anna. E claro, ainda temos a vencedora do Emmy de melhor atriz coadjuvante, Margo Martindale, no papel cômico de Rita, a secretária de Michael. Ri com as cenas de Rita, e Martindale tem presença em cena, mesmo aparecendo pouco.

Mas então, por que A Gifted Man pode acabar na rotina de série “caso da semana”? Porque o espírito de Anna ficou para ajudar Michael a evoluir e arrumar as coisas em sua clínica. Assim, como toda série médica, deveremos ter casos novos há cada semana, enquanto Michael aprende com os conselhos de Anna e ela fica cada vez mais pronta para ir em frente. Até quando essa premissa pode durar? Farão o espírito da personagem ficar preso durante 10 temporadas? Essa história pode cansar e cair facilmente na mesmice se não souberem inovar e criarem storylines diferentes e que possam incluir os outros personagens. Não quero ver apenas Michael aprendendo com cada novo paciente. Quero uma história que saiba crescer. Mas isso, só o tempo dirá.

A audiência para uma série na sexta feira foi muito boa, com 9.31 milhões de telespectadores. No geral, o piloto de A Gifted Man foi bom, emocionante e ágil para mostrar ao público sobre o que ela quer falar. Espero que consiga nos surpreender.


6 Comentários

  • Porque é que agora já não fazem um post com os promos da semana?


  • Eu adorei o piloto mas realmente pode ficar chato se o espirito ficar pra sempre com ele.

    Pelo que eu entendi ele não é um medium ele vê a ex porque sua áurea está rompida ou algo assim. acho mais interessante do que ele ficar vendo espíritos alheios por ai isso temos de sobra em outras séries.

    A série tem futuro se souberem trabalhar com os personagens.


    • Pois é Lu, acho que a série não vai se aprofundar sobre ele ser médium ou não. Acho que ficarão mesmo com Anna, como uma parceira. Ele precisa dela para evoluir, ela precisa dele para ter coragem em seguir em frente. Não acho que focarão no sobrenatural e fantasioso de espíritos alheios com casos malignos e tals. Seria um desperdício.


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